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No mês das mulheres, o CNB/GO entrevistou a titular no Tabelionato Borges Alves de Caiapônia, Darleide Teixeira Borges Alves, sobre as dificuldades e conquistas da mulher nos cartórios

Mesmo conquistando os espaços de trabalho e posições de liderança, as mulheres ainda se deparam com cenários onde têm sua capacidade profissional questionada. Esse foi o caso da tabeliã Darleide Teixeria Borges Alves, titular do Tabelionato Borges Alves de Caiapônia-GO.

“Após a posse no cargo, enfrentei diversos preconceitos, como por exemplo, em razão da idade, por ser de outra cidade e ainda por ser mulher”, desabafa.

A tabeliã iniciou sua jornada nas serventias extrajudiciais por incentivo de uma amiga. Assim, Darleide prestou o concurso realizado em Goiás e conseguiu ser aprovada apenas quatro anos depois de formada na universidade.

Há 8 anos no cargo de tabeliã, Darleide quebra as amarras do preconceito de gênero contra mulheres. Com isso, ela dá força e incentiva outras mulheres que atuam no cartório no qual é titular.

“Infelizmente ainda existem algumas pessoas que desacreditam do potencial feminino e, em razão disso, temos que trabalhar e nos qualificar ainda mais, para demonstrar que somos capazes de atuar com eficiência em qualquer ramo independente do sexo”, afirma a tabeliã.

Darleide Teixeira Borges Alves é titular do Tabelionato Borges Alves de Caiapônia

Confira a entrevista na íntegra:

CNB/GO – Por que escolheu seguir carreira como tabeliã?

Darleide Teixeria Borges Alves – A escolha da carreira como tabeliã se deu por influência de uma amiga, que me chamou para fazer o Concurso de Outorga de Delegações Extrajudiciais de Goiás. De início, hesitei, porque o meu foco era o Concurso de Magistratura, achava imponente ser juiz, pelo poder e status que o cargo tem. Por outro lado, enxergava os cartórios como um lugar de velharia e muito burocrático.

CNB/GO – Como foi a trajetória entre estudos, concurso, até a posse?

Darleide Teixeria Borges Alves – Por consequência, em razão da similitude dos editais dos referidos concursos, fui aprovada no primeiro Concurso de Outorga de Delegações que teve em nosso Estado, no ano de 2008, após quatro anos de estudos, já que me formei em 2004, na Universidade Salgado de Oliveira, em Goiânia-GO.

CNB/GO – Há quanto tempo é tabeliã?

Darleide Teixeria Borges Alves – Em 2014, tomei posse no cargo de tabeliã no Tabelionato de Notas e Protestos de Caiapônia-GO e, em maio deste ano, faz 8 anos que exerço as atribuições do cargo. E, confesso, diante das experiências com o Judiciário – trabalhava no Judiciário Goiano -, que foi a melhor escolha da minha vida, pois eu amo o que eu faço, adoro ser tabeliã e trabalhar com a Justiça Preventiva, prestando serviço à comunidade.

CNB/GO – Durante esse período à frente do cartório, enfrentou dificuldades relacionadas ao gênero?

Darleide Teixeria Borges Alves – Os serviços notariais e registrais são requeridos, em sua grande maioria pelo público masculino, principalmente aqui, na região de Caiapônia-GO, onde se tem muitas propriedades rurais, sendo um dos maiores municípios, em extensão territorial do Estado de Goiás. De início, após a posse no cargo, enfrentei diversos preconceitos, como por exemplo, em razão da idade, por ser de outra cidade e ainda por ser mulher. O trabalho sério e com compromisso prestado neste período fizeram com que estes óbices fossem quebrados e hoje somos referência na região.

Eu tinha 27 anos quando fui aprovada e já estava com 33 anos quando tomei posse. As pessoas falavam: “a menininha que chegou no cartório”. Estavam acostumados com uma figura mais de idade, figura masculina. E quando eu cheguei, uma mulher bem mais nova e impondo regras, tive dificuldade inicial quando tomei posse. Mas hoje, aquelas pessoas com as quais eu tive problema, que me maltrataram, que discutimos por causa de serviço, hoje são amigos meus. Foi bem difícil, mas hoje já foi superado.

CNB/GO – Acredita que existe um peso maior por ser uma mulher ocupando o cargo?

Darleide Teixeria Borges Alves – Acredito que sim. Infelizmente ainda existem algumas pessoas que desacreditam do potencial feminino e, em razão disso, temos que trabalhar e nos qualificar ainda mais, para demonstrar que somos capazes de atuar com eficiência em qualquer ramo independente do sexo.

CNB/GO – Já presenciou outras mulheres no setor sofrendo preconceito de gênero?

Darleide Teixeria Borges Alves – É verdade que até hoje, ainda aparecem alguns homens que ficam reticentes, ainda mais porque, no Tabelionato, 100% dos funcionários são do sexo feminino, porém, após receberem o atendimento saem satisfeitos com a qualidade do serviço.

CNB/GO – De que forma você incentiva as mulheres que atuam no seu cartório?

Darleide Teixeria Borges Alves – O que eu sempre deixo claro para as funcionárias é de que precisamos nos superar, com dedicação e qualificação diária, a fim de podermos prestar serviços que satisfaçam nossos clientes e rompam as barreiras do preconceito.

“Temos Que Trabalhar E Nos Qualificar Ainda Mais Para Demonstrar Que Somos Capazes De Atuar Com Eficiência Em Qualquer Ramo Independente Do Sexo”
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